Pausa para almoçar. Agora, em bom.

À MESA COM

ANITA HEALTHY

Conhecida por Rita entre amigos, é licenciada e mestre em matemática. Tem um estilo de vida saudável muito ligado à alimentação. Mantém o equilíbrio da sua vida entre trabalho, ginásio, dois gatos e as receitas do blog. 

Através do blog pretende motivar os seus seguidores a mudarem o seu estilo de vida, a forma como comem e veem o seu corpo. Fora do blog é muito extrovertida e anda sempre atarefada entre família e amigos. É uma pessoa bastante saudável por dentro e por fora (palavras suas) não só a nível de alimentação e exercício, mas também por tentar ver a vida de uma forma positiva.

De que forma a matemática e os números influenciam o teu dia-a-dia? 

A minha capacidade de organização e raciocínio. Sou bastante metódica. Aliás, preciso mesmo de ser para conseguir conciliar várias coisas ao mesmo tempo e isso vem muito da minha formação. Sou criativa, mas bastante organizada a nível de horários, de rigor e também é isso que me permite ter o blog. 


Ao ser rigorosa, sei que tenho o meu trabalho até às 17h/18h e depois sigo para o blog sabendo de antemão o que vou fazer. Tenho de preparar muito bem as coisas e isso adquiri com a matemática que é a parte do método. Tenho por exemplo um Excel com tudo: receitas que vou fazer, os ingredientes e as fotografias que vou ter de tirar.

Ao início não foi fácil. Lembro-me de me levantar muito cedo, por volta das 6h30, para conseguir estar no trabalho 1h mais cedo para organizar a minha agenda e o meu dia: treinar à hora de almoço, sair do trabalho, ir para casa, saber que tenho de fazer X receitas, já ter os ingredientes em casa e fotografar. Sou muito autodidata. Aprendi a fotografia sozinha, criei um miniestúdio e faço tudo. Sim, porque isto não é só chegar ali à cozinha e “hoje apetece-me fazer isto”. Para o blog é preciso ter alguma preparação prévia do que vou fazer - organização.


Como é um dia normal da Anita Healthy? 
Agora que trabalho em casa, levanto-me por volta das 7h30/8h00. Preparo o meu pequeno-almoço, ligo o computador e começo a trabalhar por volta das 8h30/09h00. Treino à hora de almoço e tento já ter o almoço preparado com antecedência para não perder tempo. Tenho entre uma 1h/1h30 de almoço e durante a tarde trabalho até às 17h30/18h. Depois começo a criar. 

Não sou aquela pessoa que acaba o dia e vai para o sofá. Trabalhar em casa tem as suas vantagens, mas como não consigo estar quieta ou perder demasiado tempo a relaxar. Tenho duas televisões e estou semanas sem as ligar. Estou sempre a ouvir música e aí começo a pesquisar receitas, a pensar no que quero escrever e a editar fotos.

Como surgiu o blog? 
Desde muito nova que adoro cozinhar e tenho um interesse especial por moda e criatividade. Já tinha tentado ter um blog onde partilhava imagens mas sem qualquer ligação à comida. A ideia surgiu através do Instagram onde comecei a seguir algumas bloggers que hoje em dia são bastantes conhecidas por partilharem receitas e pratos, algo que na altura me chamou à atenção. Não foi só cozinhar mas toda a envolvência do empratamento ao styling. Comecei a aprender sobre fotografia porque para mim não chegava apenas partilhar uma simples foto do que estava a fazer. 

Depois há também a parte do estilo de vida, da motivação. Comecei a perceber que muitas pessoas se inspiravam em mim quando comecei a treinar. Comecei a ver evolução no meu corpo e a ver que as pessoas gostavam de saber mais sobre isso, fazendo-me avançar mais com o blog e a partir daí foi crescendo gradualmente.

O Instagram é outro canal muito poderoso para qualquer blogger hoje em dia. Como é que consegues articular o teu trabalho e criar conteúdos diários, como por exemplos stories, que são publicadas várias vezes por dia? 
As minhas stories, e quem me segue sabe, são muito à base da alimentação. Não posso mostrar o meu trabalho, porque ainda não vivo apenas do blog. Normalmente, partilho sempre o pequeno-almoço. Algo que já estou habituada e acaba por fazer parte da rotina. Quando vou treinar tento explicar os exercícios que faço. Se receber alguma encomenda faço um unboxing, mas a verdade é que não é fácil programar este tipo de conteúdos pois temos de pensar que mensagem queremos transmitir. Por muito que partilhe um estilo de vida saudável, a minha vida não é apenas isso. Estou a trabalhar durante o dia e depois tenho a minha vida pessoal, que não partilho muito. Se ao fim-de-semana for viajar mostro onde estou, mas não é nada premeditado. Vou mostrando aquilo que consigo.

O que não deve faltar num pequeno-almoço normal? 
De segunda a sexta faço um pequeno-almoço muito básico: ovos, legumes e abacate ou outra fruta. Tento mostrar como é possível criar uma refeição com estes ingredientes, mas de forma diferente, sem ser monótono. Ao fim-de-semana já inovo para panquecas ou crepes utilizando farinha de amêndoa, cocô ou linhaça, ovos e cacau puro em pó. Tento não utilizar adoçantes, a não ser stevia que é um adoçante natural. Um bocadinho de mel também não faz mal nenhum e conseguimos ter um pequeno-almoço saudável todos os dias.

Que cuidados devemos ter com o que comemos? 
Eu sempre tive uma alimentação cuidada desde os meus 15, mais ou menos. Cheguei a ser vegetariana durante cinco anos. Não que isso seja sinal de uma alimentação mais saudável, mas já tinha algum cuidado com o que comia. Há cerca de 5 anos mudei no sentido de deixar de olhar tanto para as calorias e a olhar mais para os ingredientes.

Antes se calhar comia uma barra proteica com poucas calorias e achava "Só tem estas calorias, está ótimo!". Não está. O mais importante é olharmos para os ingredientes.

Se calhar leva muitos adoçantes que não nos fazem bem e foi essa a minha maior mudança neste último ano - olhar para os ingredientes, deixar de olhar para as calorias. Claro que temos de ter algum cuidado com o que estamos a comer, mas muitas vezes o nosso corpo sabe quando parar. A maior parte das pessoas olha muito para aquilo que é light e magro mas isso não significa mais saudável, antes pelo contrário. 

A primeira coisa é evitar os processados ao máximo. Tudo aquilo que contém demasiados ingredientes. Claro que não significa que só possamos comer legumes, fruta, carne e peixe, mas se tivermos 80% da nossa alimentação baseada em alimentos biológicos para mim é o mais importante. Podemos acrescentar outras coisas que não nos façam muito mal: um queijo feta ou um chocolate preto, por exemplo. Eu consumo todos os dias com 85% de cacau. São aqueles pequenos prazeres que também não têm de ser retirados e até têm algumas vantagens. O cacau por exemplo tem antioxidantes. Claro que uma barra de chocolate, mesmo de 85%, tem um bocadinho de açúcar. Mas não é esse bocadinho de açúcar por dia que faz mal. Acho que o essencial é ter equilíbrio.

O que gostavas de ter aprendido mais cedo? O que dirias à Anita Rita de há 10 anos atrás? 
A maior mudança na minha vida foi o exercício físico. Eu não fazia absolutamente nada. Era uma pessoa que se preocupava muito com a balança e com o peso que tinha. Tinha muito cuidado com aquilo que podia ou não comer mas sentia-me culpada muitas vezes por não fazer exercício. Era só ter um certo peso e não ligava a mais nada e isso foi sem dúvida aquilo que mais mudou. O exercício e fazer refeições completas! Tinha o hábito de ao jantar comer apenas uma sandes ou uns cereais. Não tinha a preocupação de comer carne, peixe... proteína com vegetais.


Quais foram/são as tuas maiores inspirações? 
Inspiro-me muito em pessoas do estrangeiro. Considero-me uma food blogger, não tanto no Instagram onde acabo por partilhar outro tipo de coisas como viagens, mas o blog em si está muito virado para a componente da comida. Em Portugal não há muito o conceito de food blogger. Tenho muitas inspirações portuguesas ao nível de lifestylemas para o blog em si é lá fora que encontro mais referências.

A melhor opção para se almoçar quando não se tem tempo? 
Se tiverem em casa: uma salada com uma lata de atum em água. Para mim é uma opção simples e rápida de se preparar. 

3 receitas para se fazer em 5 minutos? 
Bolinhas energéticas que é só colocar os ingredientes dentro de um processador como tâmaras, frutos secos, cacau e está feito. Podem ser comidas logo, mas habitualmente guardam-se no frigorífico para serem comidas nos dias seguintes. A segunda sugestão pode ser um wrap feito com ovo e uma farinha seja de amêndoa, linhaça ou trigo sarraceno que se faz em dois minutos. Por último, uma mousse de abate: descascar um abacate maduro, cacau em pó e uma colher de mel, podendo adicionar-se ainda proteína em pó. Colocar todos os ingredientes no liquidificador e já está.

A melhor receita para setembro? 
Se fosse há uns anos, em que setembro não era tão quente, diria um caldo feito de couves e missô. Como as temperaturas têm sido elevadas e as pessoas optam por refeições mais leves, uma boa sugestão pode ser um batido com muitos frutos vermelhos acompanhado por uma bebida vegetal e algumas sementes. Podendo juntar-se ainda um superalimento como spirolina

Uma tendência que não passou disso mesmo, uma tendência. 
A aveia é uma tendência subvalorizada. Outro exemplo, a chia. É apenas uma semente. Até já se comprovou que pode não ser assim tão boa para o intestino por ficar lá presa. O abacate apesar de eu adorar pode ser uma tendência subvalorizada. Há muitas pessoas que se obrigam a gostar de abacate. Se não gostam, não têm de o comer. Há muita gente que me pergunta "Eu odeio abacate como é que faço para aprender a gostar?” a resposta é simples: não tens de gostar. Eu adoro e consumo todos os dias, mas se não gostamos não temos de comer. Eu acho que neste momento há muito buzz à volta do abacate mas daqui a uns anos acaba.

E uma tendência que veio para ficar e te deixa feliz? 
O abacate mas de uma perspetiva bem diferente da que referi há pouco. É uma fruta de origem natural, com bons nutrientes, menos hidratos de carbono do que as restantes e gordura saudável para o organismo. A par dos frutos secos, faz parte do meu top de alimentos.

O que é que nunca te falta na dispensa? 
Ovos, abacate e frutos secos, nunca! Chocolate preto (idealmente biológico), cenouras e cogumelos. Se tiver isso em casa o meu dia está feito.

Um último ingrediente que te tenha deixado viciada? 
Farinha de amaranto. O amaranto é um cereal logo um alimento funcional, mas não contém glúten. Tem mais proteína que a quinoa, antioxidantes e cálcio bio disponível. Já utilizo em imensas receitas mas não deve ser consumido diariamente.

Para ti o que é o futuro da alimentação, em bom? 
O futuro passa por fazer uma alimentação o mais natural possível, evitando os processados. Optar pela "Real food". 

Planos para o futuro? Nos próximos 6 meses o que podemos esperar? 
Daqui a um ano, a minha vida vai mudar mas ainda não posso falar muito sobre esse assunto. Estou a preparar o regresso ao meu canal de Youtube e de resto, talvez no início do próximo ano tenha novidades para contar.

A pergunta que te fazem com maior frequência? 
Se não me canso dos meus pequenos almoços – os famosos ovos com abacate. 

Que perguntas é que te faltam fazer ou que as pessoas deviam questionar mais?

Recebo muitas mensagens a perguntar sobre emagrecimento: “Como é que eu consigo emagrecer?”. A pergunta não deve ser essa, mas sim "Dá-me dicas porque eu quero ser saudável!", "Dá-me dicas para eu aprender a gostar do meu corpo" ou "Dá-me dicas para eu conseguir mudar a minha mentalidade e ganhar motivação".

Muitas vezes o problema não é ter um plano alimentar porque isso encontra-se facilmente na internet. O problema é as pessoas não conseguirem lidar com os seus pensamentos e emoções porque muitas vezes a fome é emocional. Não são as dietas que não resultam, são as pessoas que não sabem fazer dieta. É também por aí que eu quero começar a dirigir-me às pessoas. Não só naquilo que devem comer, mas como o devem fazer. Mudar a mentalidade para conseguirem atingir os seus objetivos sejam eles emagrecer, engordar ou perder gordura.

Achas que a quantidade excessiva de informação que circula na internet sobre alimentação influencia a forma como as pessoas comem? 
Há muitas pessoas que fazem publicidade a certos alimentos sem sequer acreditarem ou consumirem o que estão a divulgar. Muitas vezes nem são assim tão saudáveis mas os consumidores acabam ser influenciados, experimentando sem resultados. Em relação às dietas é exatamente a mesma coisa. Eu não consumo glúten, mas não digo às pessoas se é certo ou errado consumir glúten. As pessoas experimentam por elas próprias. Eu cheguei onde cheguei por experiência, já tentei vários tipos de alimentação e neste momento encontrei aquela que mais se adapta a mim e as pessoas têm de fazer o mesmo. De forma equilibrada e sem fundamentalismos.


Quais as receitas preferidas? 
Sobremesas. Tenho muita dificuldade em encontrar receitas que não sejam doces. 

Qual a sobremesa que fazes com distinção? 
Bolo de banana.

O Natal é uma época onde cometemos vários excessos alimentares. Como articulas com a tua família e que adaptações fazes aos pratos dessa data?
Os meus pais têm a mesma alimentação que eu. O meu pai mudou completamente os seus hábitos alimentares portanto quando estou com eles não há grande problema. Para mim o difícil são os doces porque o peru e o bacalhau são coisas que consumo com regularidade acompanhando com uma salada. Um bacalhau com natas, por exemplo, já é um prato que opto por não comer mas há sempre alternativas. Sinceramente, não penso muito.Se me apetecer comer um bolo como. 

SUN&VEGS

AGORA, EM BOM

Almoçar pode ser apenas mais uma pausa obrigatória a meio do dia ou um momento de partilha, descoberta, prazer. É por isso que convidamos quem nunca para de correr para se sentar, respirar e nos contar tudo - sobre si e sobre a comida que faz bem.

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