Pausa para almoçar. Agora, em bom.

À MESA COM

Catarina Lopes

Catarina Lopes, a nutri(cionista). De sorriso fácil, admite que já não há outra forma de se apresentar e que mesmo que tentasse separar, momentaneamente, a Catarina Lopes da nutricionista, essa é uma tarefa quase impossível. Apesar do currículo extraordinário aos 28 anos, o que mais nos impressiona é a energia e felicidade contagiantes com que nos recebe, tão igual à que transmite no Instagram onde diariamente partilha as suas escolhas e inspirações.

Especialista em Nutrição Funcional, Catarina descobriu esta área no Brasil enquanto fazia um MBA em Gestão Gastronómica. Depois de se licenciar em Ciências da Nutrição na Universidade Atlântica com um Erasmus em Itália e um Intercâmbio na Universidade de Brasília, percebeu que não tardaria a voltar a entrar num avião.

“Percebi uma grande lacuna na nutrição em Portugal: tínhamos uma boa formação em termos teóricos mas faltava uma grande parte prática. Então decidi voltar para o Brasil para tirar o MBA e comecei a ouvir a palavra “funcional”. O funcional estava muito ligado a não consumir lacticínios ou farinhas, a um consumo natural, vegetariano, vegano ou em que a proteína animal era consumida de uma forma mais consciente.”

Depois de estudar três áreas, segurança alimentar em restauração, clinico-hospitalar e ambulatório, apaixonou-se pela nutrição funcional e tem aprendido e trabalhado nessa área desde daí.

A nutrição funcional é uma nutrição que tem como objetivo ver todos os indivíduos de forma individual com vista a prevenir a doença. Trabalha muito em termos de prevenção e equilíbrio do corpo, não só na alimentação mas também no estilo de vida, incluindo mudanças de sono, meditação, relaxamento... "Trabalhamos também muito o mindful eating – não queremos proibir, queremos explicar o porquê de não se dever fazer determinada escolha." 

É assim que Catarina define a área a que se dedica - algo que hoje em dia parece tão natural mas que, quando começou a trazer para Portugal, causava estranheza e levava alguns pacientes a não regressarem às suas consultas. Apesar da desconfiança em relação a um plano muito mais abrangente do que os da nutrição "clássica" - em que o foco era apenas na alimentação e os objetivos eram, muitas vezes, a perda de peso - Catarina sempre acreditou que a nutrição funcional mudava vidas e nunca desistiu de investir naquela que é uma especialidade hoje em ascenção.
 

"Existe uma super alimentação mas existe uma desnutrição muito grande. A pessoa come muito mas não se nutre."

A nutricionista nunca se alimentou particularmente mal mas admite que a grande evolução na sua alimentação se deu quando começou a explorar esta área. Lembra-se de que, quando era criança, comia sempre bem - com avós maternos agricultores e produtores, a qualidade da base da sua alimentação estava assegurada. No entanto, com a globalização e a necessidade de exposição a outros produtos, começou a experimentar alimentos menos saudáveis.

"Quanto tirei nutrição ainda não era saudável – enquanto estudava ia imensas vezes ao McDonald’s, por exemplo. Comecei a mudar mais no Brasil – comecei a descobrir o abacate, o óleo de coco, a proteína de cânhamo... No entanto, quando voltei para Portugal há uns 4 anos, tive alguma dificuldade em manter esse estilo de vida. Nem sequer era muito fácil de encontrar óleo de coco cá – eu trazia o meu do Brasil.”

O blog - e o Instagram - surgem precisamente das viagens feitas ao Brasil e das novidades que traz para Portugal. As amigas, cada vez mais curiosas com os produtos que não encontravam e as filosofias de vida que ainda não eram mainstream por cá, quase exigiram a abertura de um espaço de partilha para que pudessem acompanhar e dar a conhecer a mais e mais pessoas. E rapidamente ambos se tornaram um sucesso, com uma legião de fãs e seguidores que, nalguns casos, se tornaram pacientes.

Entre os projectos mais marcantes, Catarina destaca as formações que tem feito no Institute of Functional Medicine nos EUA, que têm lhe dado a certeza de que escolheu o caminho certo, e o Gluten Free, um congresso brasileiro a que vai há 2 anos e que reúne alguns dos profissionais que mais admira; as parcerias com a Youth.Lab e com a Bosch, enquanto embaixadora e colaboradora em projectos dedicados a facilitar o dia a dia das pessoas; e a colaboração com a Tasca Fit, restaurante com o qual desenvolveu um menu e com quem tem grande proximidade.
 

“Quero transmitir a saúde, o bem, a felicidade às pessoas. Sinto que as mulheres estão cada vez mais frustradas – não se sentem bem com o corpo que têm, comparam-se imenso.”

Nos últimos 5 anos, aprendeu que é possível prevenir muitas doenças ou amenizar consequências de alguns problemas crónicos através da alimentação. No entanto, adverte: "Só a alimentação não basta. Temos de olhar o exercício não apenas como algo bom para o corpo; o exercício é um escape, um momento só para ti. E precisamos também de trabalhar a parte mental - seja através da meditação, religião, espiritualidade. Hoje leio muito sobre a medicina Ayurveda, sobre meditação. O que procuro é juntar isto tudo num estilo de vida – ter uma vida mais sustentável, ter uma consciencialização, pensar no planeta."


"Existem produtos muito saudáveis mas que têm muito marketing – gostava que as pessoas não tivessem de se preocupar sistematicamente com ler os rótulos. Que a pessoa não tivesse de comprovar o que é anunciado."

Uma hora de almoço perfeita? Uma hora e meia a duas horas, num restaurante bom, com direito a entrada, prato e sobremesa. No entanto, esta está longe de ser a realidade típica de Catarina e um almoço típico é de 30 a 60 minutos, com comida preparada em casa ou visita a um restaurante perto da clínica - garante que o espaço do Centro Pré e Pós Parto tem óptimas opções - saboreada a correr. "Sou a pessoa que come mais rápido – nem 15 minutos demoro. Estou tão habituada a comer rápido porque estou sempre cheia de coisas..." Se não tiver tempo para almoçar, ou come um grande pequeno almoço, não almoça e faz um bom lanche; ou toma um shake de proteína, ou uma sopa.

Entre os maiores erros que se cometem na alimentação por falta de tempo, destaca os hábitos de saltar uma refeição e depois comer exageradamente; o petiscar constantemente, muitas vezes de forma pouco consciente; e a adição de "extras" a refeições saudáveis que as tornam menos interessantes em termos nutricionais, como os croutons e os molhos das saladas.

 

5 PERGUNTAS EM DISCURSO DIRETO. O FUTURO. AGORA, EM BOM.

A melhor comfort food para um dia de Inverno? "Chocolate quente ou golden milk, o curcuma latte. Ou um petit gateau bem quentinho, do bem – só leva ovos, óleo de coco e chocolate."

O que é uma bowl perfeita? "Uma bowl perfeita tem mais vegetais do que fruta e tem super alimentos: proteína de cânhamo, spirulina, clorela. Não tem mel, agave nem nenhum tipo de adição de açúcar - a fruta já é suficiente para o travo doce."

Qual é o teu signature dish?  "Caril de camarão ou lasanha vegetariana, sem glúten. E o guacamole – toda a gente adora! Só leva abacate, tomate cereja, cebola, alho, muitos coentros, muita lima e muito limão mas forma como eu faço... fica diferente."

Quais são as melhores receitas para fazer em 5 minutos? Bolos de caneca com farinhas do bem, panquecas, muffins de ovo... Para os muffins, basta misturar ovos, verduras, água, sal, coentros e especiarias, colocar no forno e já está!

Podes não ter tempo para mais nada mas não abdicas de... comer fora! Adoro ir à  Tasca Fit, ao Clube Life to Go, ao Pachamama, ao 26, ao Psi...


Para o futuro da alimentação, Catarina tem um desejo muito forte: que no nosso futuro esteja uma alimentação mesmo clean e com prazer - que se descubra o prazer de comer fruta, salada, um bom bife ou um peixe grelhado. Que o prazer não venha apenas dos alimentos altamente processados. Embora o processado seja relativo - não há problemas num alimento processado por uma questão de validade, de conservação mas sim nos processados com químicos, com aditivos de coisas sem necessidade.

Para o seu futuro, quer continuar a dar consultas, fazer muitas formações – "Tenho muita sede de aprender, gosto muito de viajar e aproveitar esses momentos para aprender." – e ter parcerias que dão prazer – que dão vontade de estudar, fazer coisas, e ficar com orgulho. "Sinto a necessidade de escrever um livro porque muitas pessoas me pedem mas estou a tentar encontrar condições e a pensar em como fazer um livro diferente de tudo o que já existe – não quero fazer mais um.”



Catarina Lopes é energia e felicidade contagiantes. Partilha seu o dia a dia (e muita inspiração!) no seu Instagram e Facebook e, nos próximos meses, lançará um novo site e marca.
 

SUN&VEGS

AGORA, EM BOM

Almoçar pode ser apenas mais uma pausa obrigatória a meio do dia ou um momento de partilha, descoberta, prazer. É por isso que convidamos quem nunca para de correr para se sentar, respirar e nos contar tudo - sobre si e sobre a comida que faz bem.

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