Pausa para almoçar. Agora, em bom.

À MESA COM

Mia Relógio

Hoje, almoçamos com Maria André, como era carinhosamente chamada pelo pai, ou Mia Relógio, como é carinhosamente conhecida online, a energia por detrás d'O Blog da Mia. Mas quem é a Mia?

"Uma menina que fez recentemente 37 anos e que já teve o trauma do seu 1,56m. Que se mudou de Torres Vedras, recentemente, para Lisboa. Que se licenciou em Direito e trabalhou na área até ao final de 2017."

E fê-lo até ao final de 2017 porque, no início deste ano, decidiu dedicar-se em exclusivo a'O Blog da Mia. Não é blogger mas tem um blog, tal como tem um Instagram, desde 2011 - ao longo dos últimos sete anos aprendeu, divertiu-se, desfrutou, mas também se sacrificou e trabalhou muito, inclusivamente na fase em que manteve dois empregos para além das suas plataformas.

A certa altura, pensou em eliminar as suas presenças - com o pai doente, exausta e esgotada física e psicologicamente, Mia não sabia como gerir um espaço em que partilhava tanto de si mas para o qual não queria que a sua tristeza transbordasse. “Não consigo escrever coisas que não sejam verdade mas não queria partilhar momentos de tristeza. (...) O meu blog sempre teve muitos textos, muitas palavras, muitos conteúdos, muitos desabafos.”  Mesmo quando partilhava um look ou uma frase inspiracional, a sua falta de energia transparecia e os seus seguidores questionavam-na, cada vez mais, sobre o que estaria a acontecer.

Guardou tudo para si até ao dia em que o seu pai faleceu e decidiu abordar o que tinha acontecido nos últimos meses. Aquilo que poderia ter sido um último desabafo transformou-se numa marca, um novo ponto de partida para a sua forma de estar online.

Os meses da doença do pai e o triste desfecho desse capítulo tiveram um impacto significativo não só no seu blog como em si própria, a todos os níveis. Por um lado, mostrou-lhe que os seus seguidores estavam lá para além das visualizações ou das caixas de comentários. “Recebi um carinho enorme de pessoas que nunca me viram na vida. Recebi mensagens de pessoas que me quiseram enviar coisas, cartas, porque também perderam um familiar e também não sabiam como voltar a erguer-se.” Por outro lado, aquilo por que passou mudou a sua relação consigo mesma, com a alimentação e com o seu corpo. Aos trinta e sete anos, Mia está a re-aprender a gostar de si.
 

“Cheguei a um momento em que saía do banho e não era capaz de me olhar ao espelho. (...) Estava tão triste que acabava por me refugiar na comida - e percebi que tinha de me alimentar melhor. Assumi a necessidade de me rodear de pessoas que me ajudavam e partilhei essa luta, que começou há 15, 20 dias, para voltar a olhar ao espelho e gostar da imagem que vejo. Sou muito crítica comigo mesma.”

Quando era criança, comia de tudo. Se o almoço era carne, o jantar era peixe - e havia sempre legumes. “A minha mãe cozinha bem e sempre teve atenção para que gostássemos de tudo - desde pequenas que fomos educadas a ter uma alimentação variada. Adoro peixe cozido e pescada cozida; adoro brócolos e sou louca por feijão verde. (...) Nós sempre vivemos em Torres e tudo era comprado no mercado."

Quando entrou para a Faculdade, criou o hábito de preparar a sua própria marmita, embora acredite que nessa altura ainda não gostava necessariamente de comer. “Mudou tudo quando fiz 30 anos. Quando andava na Faculdade, o meu pequeno-almoço era uma meia de leite, eu não comia. (...) Aos 30 anos, comecei a perceber que gostava de comer. E eu sabia parar – só nos últimos tempos é que deixei de o conseguir fazer e, por isso, procurei ajuda.”  


"Estou focada em descobrir o que posso comer, em que quantidades, o que me faz bem. Porque tu também és aquilo que tu comes; a alimentação é uma escolha.”

Hoje em dia, confessa que o salmão no forno em papelote, regado com limão, é um prato clássico na sua mesa. Em casa, nunca teve óleo nem cozinha carnes vermelhas - no entanto, gosta de um bom bife de vaca e, se for a uma cervejaria e lhe apetecer, é isso que vai pedir. Não vive presa a dogmas nem extremos e tenta ser o mais equilibrada possível, algo que só é mais difícil quando pensa em sobremesas. “Sou muito mais perdida por doces, por um pastel de nata, um pão de ló, pelos bolos caseiros, de mãe...”

Hoje, não se sente culpada a comer o que quer que seja. "Deixei de beber leite depois de um teste de intolerâncias alimentares - só consumo bebidas vegetais. O açúcar é algo que estou a reduzir cada vez mais. (...) Deixei de comer pão e, por isso, manteiga; e fiambre, só  compro de peru. Comecei a colocar sementes de chia nas saladas, no iogurte; e a comprar quinoa e recorrer a cereais integrais. Às vezes, basta fazer as mudanças certas."


“Não cozinho mas faço a melhor salada de atum do mundo - sou óptima a temperar saladas! Aliás, sou completamente obcecada por saladas, ao ponto de comer saladas com bacalhau cozido, por exemplo - ninguém faz isto.”

Tem uma rotina de pequeno-almoço que a faz começar o dia com um sorriso na cara: enquanto está à mesa, começa a ler as mensagens quase sempre tão positivas que tantas pessoas lhe enviam no Instagram e isso dá-lhe força para acreditar que vai ser um dia bom. Desde que passou a trabalhar em casa que a sua hora de almoço mudou. Agora, tenta comer sempre sopa e a sua alimentação é à base de saladas. "Até há pouco tempo nunca tinha comido quinoa e agora, que experimentei, descobri que gosto; estou a tentar descobrir um novo mundo na alimentação saudável."
 


EM DISCURSO DIRECTO.

Quais são as tuas inspirações? "A minha maior inspiração é a minha mãe, a minha família, os meus amigos, e pessoas com quem me vou cruzando no dia a dia. É uma revista, uma pessoa que passa no café e tem uma expressão engraçada, alguém com quem troquei um olhar... São objetos de decoração, espelhos, quadros, mensagens... Mas, acima de tudo, as pessoas reais: as que sabem expressar as suas emoções, as que são autênticas."

O que é o futuro da alimentação, em bom? "É um futuro em que existe mais qualidade nos produtos. Já temos muitas opções, há cada vez mais restaurantes que nos permitem alimentar de forma responsável e sem culpas. Eu adoro ir a uma boa tasca tanto quanto a um bom restaurante mas acho que parte um bocadinho de nós fazermos as escolhas certas. Por exemplo, cada vez tento fazer mais compras em sítios com mais qualidade. Os supermercados são bons mas ainda têm muitas falhas. E cá em casa temos uma grande falha: não sabemos fazer sopa. A minha irmã já me tentou ensinar e dá-me sopa dela; o meu marido cozinha super bem e a sopa é a única coisa que ele não sabe fazer. Eu tento comprar sopa feita mas não é fácil: há sopas de tudo mas quase todas têm batata, por exemplo."

O que gostarias que o futuro te reservasse? "Queria sentir mesmo firmeza nos meus projectos. (...) Sempre dei muito valor ao dinheiro, e sou muito controlada no que compro. Criei um movimento no Instagram para vender e oferecer coisas. O meu maior desafio é gerir o orçamento que deixou de contar com um salário fixo - nunca poderia fazer o que faço sem o apoio do meu marido. Queria que o meu blog crescesse para ter mais qualidade; que os meus textos permanecessem iguais, pagos ou não, carregados de sinceridade e transparência; e conseguir chegar a marcas com as quais gostava de trabalhar."



A Mia escreve no M&A e partilha os seus dias no seu Instagram.

SUN&VEGS

AGORA, EM BOM

Almoçar pode ser apenas mais uma pausa obrigatória a meio do dia ou um momento de partilha, descoberta, prazer. É por isso que convidamos quem nunca para de correr para se sentar, respirar e nos contar tudo - sobre si e sobre a comida que faz bem.

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