Pausa para almoçar. Agora, em bom.

À MESA COM

Sofia Fernandes

Sofia Castro Fernandes. Blogger no "Às 9 no meu Blog", formadora na Academia Às 9 (quase, quase a abrir!), autora do "Às 9 no meu Livro" e do mais recente "Descomplica" (confidencia-nos que há um terceiro título já a ser preparado!), mulher, mãe, esposa, amiga das suas pessoas, dos seus clientes e de milhares de ilustres desconhecidos que a seguem diariamente no seu Instagram ou a lêem num dos muitos veículos das suas palavras. Sofia Castro Fernandes. Quisemos saber quem era esta pessoa para além de tudo isto e marcámos um dia na Academia para conhecer, aprender, absover.

​“Quem sou? É uma pergunta que costumo fazer nos workshops: descubram quem são sem se resumirem ao que fazem na vida."

“Eu sou alfacinha de gema. Nasci em S. Sebastião da Pedreira e vivemos uma parte da nossa vida entre Lisboa e Lagos. Sou filha de pais emigrantes - os meus pais vivem na Suíça - e tenho uma irmã. Tenho 44 anos, sou formada em Direito e trabalho há 20 anos em consultoria e formação de RH. Sou Sagitário - e isso é uma coisa que diz muito de mim. Sou optimista, vejo sempre o copo meio cheio, muito resiliente, focada, determinada, sei o que quero e quando não sei o que quero, sei o que não quero. Estou ligada à consultoria há 20 anos e andei um bocadinho por todo o lado. Felizmente."

Passando o período da Faculdade - uma fase determinante e marcante para o seu crescimento enquanto pessoa, mulher, profissional - ao qual acabaremos por regressar no final desta conversa, Sofia foi acumulando experiências e vivências dentro e fora do país. E é no ano em que atravessa o Atlântico, 2005, que tudo começa a mudar.

"Há uma Sofia antes e depois do Brasil."

"Em Lisboa nunca encontrava tempo para explorar a espiritualidade e as religiões, algo que sempre me interessou - sou e sempre fui católica praticante - e no Brasil consegui fazê-lo, trabalhando o auto-conhecimento, o reiki, a meditação. Tive lá o primeiro contacto com o coaching, numa altura em que em Portugal esta disciplina nem existia. Tive lá o primeiro contacto com a programação neurolinguística e com a psicologia positiva."
 

Doze meses depois, regressa a Lisboa de energias renovadas e com mil ideias na cabeça. Esteve uma temporada nos Alpes, mudou-se para o Porto para trabalhar em head hunting, e foi sempre fazendo coisas diferentes e complementares. Do Porto vem para Lisboa, de Lisboa para Londres, de Londres para Genéve, até regressar à cidade que a viu nascer e começar a pensar no projecto que hoje se materializa na Academia, um espaço de formação multi-ferramentas onde consegue acrescentar valor aos outros.
 

“O meu percurso tem sido muito tentativa - erro.”

É o blog que dá nome a tudo e é do blog que nascem muitos projectos, incluindo o seu casamento. Começou em 2005, quando estava no Brasil, como uma forma de ir partilhando o que estava a fazer com o seu núcleo mais próximo. Com o "boom" dos blogs, a SIC entrevistou-a para uma peça e essa exposição fez com que a sua audiência tivesse ganho uma nova dimensão, passando a incluir desconhecidos que a começaram a acompanhar. Não tem dúvidas de que o seu registo muito inspiracional, voltado para o lado bom da vida sem mascarar as coisas menos boas, captou muitas atenções. “Tenho dias péssimos, como toda a gente, e desafios para gerir, mas quer por uma questão de gestão pessoal quer fruto da minha formação académica, procuro sempre descomplicar e desdramatizar. Estes dois verbos tornaram-se mais vincados em mim desde que sou mãe. Para o meu filho, de 7 anos, é tudo muito simples.”


“Se não tem solução, não é um problema; e se é um problema, tem uma solução - podes não conseguir resolver agora, mas haverás de o conseguir fazer. É a minha forma de olhar para a vida.”

Em junho de 2017 encontra o espaço para a Academia e tem trabalhado nesse espaço nos últimos 12 meses. "Gostava muito de ter um espaço versátil para ter workshops tradicionais, coachings, mas também um sítio onde as pessoas se sintam em (minha) casa – o meu espaço é a extensão da minha casa! – virado para a simplicidade. E queria muito que tivesse a componente da cozinha, não só para poder cozinhar para as minhas pessoas, mas para poder fazê-lo também para as minhas clientes – a partir da inauguração, o coaching incluirá ou pequeno-almoço, ou almoço, ou jantar, dependendo do horário em que decorre, com refeições simples que nos vão aproximar."

Por entre as suas responsabilidades, vai reservando um conjunto de horas do seu ano para trabalho pro-bono, "do qual não gosto de fazer promoção, embora saiba que preciso de o divulgar para que as pessoas possam recorrer aos meus serviços. A responsabilidade social é muito importante para mim e gostava que, no futuro, a Academia me permitisse ter formação gratuita para pessoas desempregadas ou à procura de primeiro emprego.”


“Adoro comer, adoro cozinhar, é uma das minhas terapias de mindfulness – adoro escolher as coisas, cortar tudo, organizar tudo, perceber o que liga com o quê, o que é que traz benefícios... adoro ler sobre isso!”

Afirma, divertida, que é aquele tipo de pessoa que é completamente insuportável com fome, mas que come muito pouco, muitas vezes. Tem as suas rotinas de "bem-me-quero", como lhes chama no seu blog, entre as quais a água com limão ou o jantar em família, "juntos, numa mesa grande na cozinha, com a televisão desligada e a partilhar o nosso dia.” É fácil de perceber que, para Sofia, a comida e as pessoas andam de mãos juntas, seja na intimidade, seja nas suas terapêuticas.

“A comida tem um papel muito importante nas nossas rotinas. Eu gosto muito das coisas “diferentes”, de perceber a comida – e só uma pessoa lá em casa me acompanha nas experiências com lentilhas, cuscuz, quinoa, comida macrobiótica. A minha mãe sempre foi da comida tradicional portuguesa. Os meus avós eram de Goa e o meu pai era muito da comida asiática, que eu adoro.”


“Gosto muito de comida, da chamada comida saudável mas a que eu prefiro chamar de consciente. Mas não sou fundamentalista, não sou de impingir nem de evangelizar, nem na alimentação nem em outras áreas.”

Cinco minutos para almoçar? Não há problema. “O meu frigorífico está muito organizado e por isso tiro algumas horas para preparar as refeições da semana. É muito fácil - e rápido! - preparar algo. Tenho sempre tudo pronto para fazer uma salada e arroz integral, lentilhas, quinoa ou cuscuz já cozidos. E tenho sempre fruta lavada e cortada.” E há ingredientes que nunca faltam na sua despensa: massas, azeite, farinha integral para panquecas, óleo de coco, arroz integral, especiarias - "todas as que possas imaginar, alecrim, tomilho e manjericão fresco. Tenho muita aveia – gosto muito de fazer papas de aveia – e coisas que vou experimentando – super alimentos em pó, linhaça, tâmaras... Gosto de ir explorando regimes diferentes e agora vou experimentar a sério a macrobiótica. Não procuro o corpo ideal – procuro a saúde mental ideal.”


 

EM DISCURSO DIRECTO

O que é que a Sofia de hoje diria a uma Sofia mais jovem? "À Sofia entre os 7 e 12 anos, em que tomo noção da pessoa que eu era e dos medos que tinha por ser introvertida, fechada, tímida, o oposto da minha irmã a quem era constantemente comparada, diria que vai correr tudo bem. Fui trabalhando essas características mas tudo isso foi me favorável. Hoje, o silêncio, o gostar mais de ouvir do que de falar, ajuda-me a trabalhar com as outras pessoas. A formação fez-me aprender a gostar de falar; no acompanhamento, é importante a forma como eu sou."

Quem são as tuas inspirações? "O meu pai, uma das pessoas de referência da minha vida, que me motivou, estimulou, ajudou sempre. A minha mãe, a pessoa mais optimista que conheço. A minha irmã, uma mulher trabalhadora e uma das pessoas mais divertidas que conheço, mesmo na pior das adversidades. O Pedro, um sol na minha vida - está sempre lá para dizer “vai, tu consegues, és capaz”, tem imensa admiração por mim. E o meu filho, que é maravilhoso. No final de um dia difícil, o Martim chega e passa. Mas também as pessoas que vou conhecendo, que me lêem e vão dando feedback, as histórias que me contam... é aí que me vou inspirando para ser feliz."

O que é o futuro da alimentação, em bom? "Falta mudar o paradigma dentro da cabeça de cada um. Gosto muito de comida saudável sem ir aos exrtremos do fundamentalismo - é muito perigoso, em tudo na vida. Falta mais projectos que estimulem as pessoas a comerem bem de forma descomplicada. Existem muitas correntes, muitas escolas, muita gente a falar... mas como é que a pessoa se organiza, no dia a dia? O que é que existe? Como é que num almoço de cinco minutos facilito a minha vida? Tem de ser fácil senão não dá para adoptar. Tudo o que são projectos que acrescentam valor para simplificar a vida das pessoas é óptimo. Quanto mais descomplicado for, mais adeptos vai ter."

O que gostavas que estivesse no teu futuro? "Quero voltar a ser mãe, gerando um filho ou adoptando uma criança. Mais do que um desejo, é uma certeza para 2018. Gostava muito que a minha família continuasse a ser unida e tivesse saúde - de tudo o resto, corremos atrás. E gostava muito que o projecto de vida, a minha Academia, se tornasse sustentável para poder dar mais de mim sem ter de fazer contas."

Qual é a pergunta que mais te fazem? "Como é que me mantenho positiva, sem dúvida."

E a pergunta que nunca te fazem e gostavas que fizessem? "Quais são as coisas mais difíceis da minha vida ou o que vivi de muito difícil para hoje conseguir escrever mensagens de esperança para os outros."

E quais foram? “Coisas mesmo muito difíceis do ponto de vista financeiro. Cancelei a minha primeira matrícula na Faculdade por questões financeiras, fui trabalhar e só no ano seguinte voltei a estudar, à noite, conciliando a Faculdade com o meu trabalho como caixa no Pingo Doce, onde fui aprendendo e crescendo, durante dois anos. Foi muito difícil, muitas vezes, mas tive sempre a sorte de ter pessoas, uns anjos à minha volta, que me foram ajudando a criar oportunidades e a seguir pelo caminho que precisava de ir... do Pingo Doce para um trabalho de telemarketing, do telemarketing para o meu primeiro emprego relacionado com a minha área profissional... Sempre me apareceram essas pessoas chave, que não são amigos do dia a dia que ficam para a vida, mas que acrescentam ou mudam qualquer coisa num dado momento, ou precisam de mim, de me conhecer, numa fase. 

As pessoas habituaram-se a olhar para mim e para o meu registo de escrita como alguém que aprendeu a ser positiva sem pensarem em como cheguei aí. Quase toda a minha vida faço voluntariado, desde a adolescência, relacionado com comida e com pessoas. De forma inconsciente, todos os pontos da minha vida se unem à volta destas duas coisas, que têm sido chave.

Estive num sítio onde chorava imenso, perguntava porquê, para quê... mas tinha duas opções: ou deixava-me controlar pelas circunstâncias, ou aprendia algo com elas. É muito perigoso passar a vida a lamentar – do ponto de vista da psicologia, há uma fronteira muito ténue entre ser um calimero ou ter uma depressão, em que já se fala na doença.” 





A Sofia escreve na sua plataforma "Às 9 no meu Blog" e partilha o seu dia a dia - e o seu cão, o Sal! - no seu Instagram. A Academia abrirá portas em breve em Alvalade, Lisboa.

SUN&VEGS

AGORA, EM BOM

Almoçar pode ser apenas mais uma pausa obrigatória a meio do dia ou um momento de partilha, descoberta, prazer. É por isso que convidamos quem nunca para de correr para se sentar, respirar e nos contar tudo - sobre si e sobre a comida que faz bem.

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