Feito à Mão. Agora, em bom.

MARCAS À MÃO

Velo Corvo

Pedro Gil tem um percurso pouco comum e uma história semelhante a tantas outras de tantos outros fundadores de marcas portuguesas nascidas da crise. Saltitou entre cidades - e continentes! - em trabalho, apesar de constantemente regressar a Lisboa, e o retrocesso económico de 2010 / 2012 - e o encerramento da fábrica onde trabalhava, há 5 anos - levou-o a parar por breves instantes e decidir apostar num projecto com que já sonhava.

Em traços simples, foi assim que nasceu a Velo Corvo - de uma dificuldade transformada em oportunidade. Na verdade, tudo remonta à adolescência, aos anos de Faculdade e a um dos últimos empregos de Pedro, em Viseu.

Aos 13 ou 14 anos Pedro começou a fazer BTT e a descobrir o prazer de pedalar. Durante anos dedicou-se à modalidade até ao dia em que se cansou das técnicas e das licras e arrumou a bicicleta, trocando-a por uma bicicleta comum, usada para se deslocar para a Universidade - afinal, chegava mais depressa do que de carro - e passar mais uns anos a pedalar.

Entre trocas e voltas da vida, passariam anos até voltar a usar este meio de transporte diariamente e a ideia de ter a sua loja de bicicletas se começar a formar de uma maneira mais sólida. Em 2012 / 2013, do inesperado, todas as condições se reúnem - a fábrica em que Pedro trabalhava rescindiu o seu contrato e, sem mais desculpas e com alguma capacidade de investimento, a loja e oficina de bicicletas ia abrir portas. Era agora ou nunca.


"Queria uma loja pequena, quase de militância; sabia que não ia ficar rico assim mas isso não importava nada – é pelo amor às bicicletas que aqui estou."

A Velo Corvo abriu portas no verão de 2015 junto ao jardim do Campo Grande. 

Os nomes Velo, de velocípede, e Corvo, dos corvos que representam a cidade de Lisboa, juntam-se para baptizar a loja e oficina cuja missão seria distinguir-se de todas as lojas e oficinas da cidade - Pedro sabia que não só não podia ter um espaço igual aos outros para conseguir sobreviver como desejava não ter apenas mais uma loja. E isso está bem patente em tudo o que faz - desde a configuração do seu espaço, característico e despretensioso, ao site onde escreve e partilha o seu conhecimento e forma de ver o universo das duas rodas, ou aos passeios que organiza, seja com amigos, seja aberto aos clientes e à comunidade de cicloturismo através dos eventos que partilha pelo Facebook. 
 

“Gostamos de sair daqui, apanhar o comboio, ir até Sintra, fazer a subida, comer lá em cima, descer até Cascais e voltar de comboio para Lisboa. É desportivo à mesma – a subida à Serra é dura! – mas não deixa de ser turismo.”


Acredita que ainda não tem um tipo de cliente muito definido mas ultimamente nota que é mais procurado por quem tem bicicletas clássicas e lhes quer dar outra vida. “Pego nas partes melhores do antigamente e junto com as melhores partes do atual.” Apesar de não se limitar a reconstruir e também ter bicicletas para venda - quando o visitámos tinha um modelo maravilhoso na montra, em segunda mão, por apenas €300 - começa a ser reconhecido pela habilidade em recriar ou reconstruir bicicletas.


“Foi mesmo por gostar de fazer coisas com as mãos, fazer algo prático (que abri a oficina). (...) Aqui sinto-me muito ligado àquilo que faço – as pessoas andam e ficam contentes. E a maior parte dos meus clientes transformam-se em amigos.”


Pedro acredita que as bicicletas unem as pessoas de uma forma que poucas coisas o fazem. Há imensos detalhes e pormenores técnicos que fomentam discussões de horas e horas mas a verdade é que o que as pessoas gostam é de andar de bicicleta e ter uma que as represente – é a coisa mais simples do mundo. “Uma bicicleta pode ser transformada por uma infinita combinação de peças, acessórios, combinações. Quem compra uma vai trocar, invariavelmente, qualquer coisa. O futuro é a personalização – é tornar uma bicicleta numa forma de expressão. É tua. Cresce contigo. Vai mudando contigo.”

Um dia normal na loja começa às dez da manhã. Pedro chega de bicicleta e tenta organizar o dia; começa por fazer listas com todas as tarefas que tem pela frente, pagar as contas, arrumar as coisas - tenta ter a bancada de trabalho minimamente arrumada! - e só depois suja as mãos. Todos os dias tenta publicar qualquer coisa no Facebook para criar e fortalecer a comunidade, distanciando-se das publicações habituais das outras lojas que se baseiam em anunciar promoções ou novos produtos para venda.

Tem projectos mais longos, mais complicados, que levam mais tempo – aos quais aproveita para se dedicar a meses mais parados, como janeiro e fevereiro - e outros que podem durar de umas horas a uns dias. No verão surgem os trabalhos mais rápidos – desde trocar pneus a fazer pequenas reparações, ou reconstruir bicicletas em 2 ou 3 dias.


“Podemos sair daqui e vamos à ciclovia do Campo Grande ou da Avenida da República e vemos dezenas de pessoas a passarem. (...) Em Portugal as coisas acontecem sempre uns anos depois mas quando acontecem é tudo muito mais rápido – e já começou. As pessoas começam a interiorizar que não é idiota, nem difícil, nem de “pobrezinho” andar de bicicleta. Na Holanda está frio, chove, muito mais do que aqui... e as bicicletas estão em todo o lado. Eventualmente, lá chegaremos."

Os primeiros sinais já andam pela rua e o lançamento do GIRA, o serviço de partilha de bicicletas de Lisboa, veio dar mais um impulso a este meio de transporte. O ofício de Pedro tem rodas para andar e bem lhe podemos chamar arte - que, se tivermos sorte e estivermos atentos, podemos admirar pela cidade.
 


NA PRIMEIRA PESSOA. AGORA, EM BOM.

Quais as lições mais importantes que a loja ensinou a Pedro? "A ser paciente... tenho aprendido a ser muito paciente. E também de que o dinheiro não traz felicidade. Sem dúvida."

O projecto mais difícil? "A bicicleta em que estou a trabalhar neste momento, de 2 lugares. É muito raro, em qualquer parte do mundo, existirem, e estou a recuperar uma que chegou de França, um país com um histórico grande em termos de cicloturismo. Lá, o ciclismo chegou a ser mais importante do que o futebol!"

E o melhor desafio? "Transformar bicicletas francesas antigas que se compram no OLX baratas, por €60 ou €70, em bicicletas utilizáveis, diferentes, personalizadas. Uma transformação pode ser feita em 2 ou 3 dias, se tiver todas as peças já na loja."

As grandes surpresas... "Em 2 anos e meio estar a crescer, manter a loja, ter pessoas que aparecem, compram e gostam do que eu tenho a dizer. Faço tudo à excepção da contabilidade e gosto muito."

Sobre o futuro do ciclismo no nosso país... “Cá em Portugal nunca houve aquela cultura, que houve em França ,do cicloturismo. Depois da Segunda Guerra Mundial e da standardização das férias pagas, o cicloturismo cresceu – era uma maneira barata de as pessoas poderem ir de férias. E o cicloturismo usa bicicletas que não são desportivas – a maneira com que te relacionas com a bicicleta é diferente. É essa relação que se está agora a descobrir em Portugal. A bicicleta desapareceu porque nos anos 70, 80, 90 toda a gente queria uma mota ou um carro – as pessoas estão a descobrir a bicicleta utilitária, do dia a dia, que te leva a sítios tranquilamente."

Para a Velocorvo, Pedro já tem um objetivo bem definido. “Daqui a 5 anos gostava de fazer as minhas bicicletas. Fazer de um conjunto de tubos um quadro feito à medida... ter bicicletas Velo Corvo 100% de raiz é um sonho que vem de há muitos anos e que quero concretizar em breve. (...) Já tenho quase tudo preparado – falta só começar a fazer.”



A Velo Corvo está em Lisboa, junto ao Jardim do Campo Grande. No seu site é possível encontrar, para além da loja online, a Velosofia, o blog e mais informações sobre todos os serviços disponíveis. Para acompanhar o dia a dia da loja, basta seguir o Facebook.

SUN&VEGS

AGORA, EM BOM

Fazer à mão é importante - fazê-lo bem é essencial. Cada pormenor, cada detalhe, cada nuance de um objeto, de um produto, de um prato preparado à mão é único e carregado de histórias. É por isso que as Fresco&Frasco Sun&Vegs são feitas assim. E é por isso que procuramos outras marcas que produzem da mesma forma. Agora, em bom.

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