Feito à Mão. Agora, em bom.

MARCAS À MÃO

ANNA WESTERLUND

Recebe-nos num atelier em que ainda se está a instalar e que fará, em breve, a delícia dos seus fãs e clientes, com um à vontade e simpatia desarmantes. O espaço, que ocupa desde novembro, ainda está em construção mas já se sente a marca de Anna Westerlund um pouco por todo o lado: as bancadas de trabalho estão repletas de materiais que ganham forma, as estantes nas paredes exibem as peças terminadas que tão bem conhecemos e exemplares de coleções a caminho.

Filha de pai sueco e mãe portuguesa, Anna Westerlund sempre viveu a dualidade de pensamento de uma forma enriquecedora e sempre foi influenciada por ambas as culturas.

Depois de estudar Economia no Ensino Secundário, matriculou-se em Publicidade e Marketing e quase acabou a Licenciatura - faltam-lhe duas cadeiras para obter o diploma - até decidir seguir o seu instinto e inscrever-se em Cerâmica no Ar.Co.


“Ainda sou de uma geração em que ir para artes parecia que não era a 100% uma profissão.”

Tinha 22 anos quando chegou ao Ar.Co, o Centro de Arte e Comunicação Visual e dedicou-se a aprender o máximo, sobre diferentes áreas, durante cinco ou seis - fez o percurso de Cerâmica de 3 anos, um ano de Projecto Individual, e estudou joalharia, gravura, desenho... Encontrou nesta escola a oportunidade perfeita para explorar várias áreas que, com a sua própria visão estética, viria a integrar no seu trabalho, embora a intenção não fosse essa - Anna é curiosa por natureza e interessa-se, aprende e evolui naturalmente.

Quando concluiu o seu percurso formativo, juntou-se a duas colegas do Ar.Co e abriu a Caulino, o seu primeiro atelier.
 

Só em 2013, depois de vários projectos paralelos, passaria a dedicar-se à sua arte a tempo inteiro - primeiro, dividiu as suas atenções com a sua carreira de modelo; depois, foi responsável pelo Chef Nino, a gelataria e restaurante na Lx Factory; finalmente, estabeleceu-se como ceramista a tempo inteiro no seu atelier em casa, do qual saiu há alguns meses para o novo espaço.

“Sinto que há bases da publicidade e do marketing que ajudam a dar perspectiva, a ver as coisas um bocadinho mais além. (...) Sempre gostei de fazer coisas à mão. (...) Lembro-me de, em casa dos meus pais, ter um canto da casa – um atelier – e inventar, criar coisas.”

Criar à mão é-lhe inapto mas obriga-se a parar duas vezes ao ano e tentar encontrar um tema, um mote, para a próxima coleção. São três ou quatro dias em que esvazia a cabeça e cria um fio condutor para toda a inspiração que guardou. "Pode ser uma conjugação de cores, uma paisagem ou um mood que tento passar através das peças. (...) E desenho muito, mesmo muito. A cerâmica, por causa dos fornos, não dá para corrigir – é por isso que desenho tanto, para tentar evitar o processo de tentativa – erro." Cada coleção conta com 20 a 30 peças, repetidas numa série limitada, à mão, de acordo com as encomendas - nunca aceita pedidos em larga escala.

"Criar à mão é mais forte do que eu, dá-me prazer, é parte de mim. Às vezes é difícil demarcar a fronteira entre o que é trabalho e lazer... mesmo quando estou de férias dou por mim a pensar, a desenhar, a criar."

No atelier, conta com a ajuda de mais três pessoas, uma das quais em part-time, que dividem consigo a criação das réplicas e a ajudam com a comunicação, com o design, com as fotografias... O apoio é essencial para manter o site atualizado - e em desenvolvimento - e as redes sociais sempre ativas.

"(Estar na loja do MoMA) deu-me um boost de confiança enorme – percebi que, se calhar, não estava a escolher o caminho errado...”

Entre os momentos que destaca da sua singela carreira, o facto de ter sido escolhida, quando ainda estava a terminar o curso, para estar num stand de artistas portugueses na loja do MoMA ou o contacto da Anthropologie que deu origem a uma coleção são os eleitos. “Tenho 3 grandes objetivos / sonhos – um deles era um dia ter peças na Anthropologie. Porque me identifico com a loja, porque a abordagem que eles têm de conseguir manter o lado de craft e divulgar artistas.” E é peremptória ao afirmar que estes momento a ajudaram a equilibrar as suas inseguranças com "shots de confiança", que a mantém no caminho certo. Por concretizar? Trabalhar om a Designers' Guild. "Lembro-me de ser miúda e ter a Tricia Guild como uma referência. Comprava os livros dela pela mistura de cores e padrões – sempre foi muito inspiradora para mim e uma grande referência."

“Só agora estamos a ganhar o gosto pelo artesanato mais contemporâneo mas cada vez há mais sensibilidade, cada vez as pessoas gostam mais de se rodear por objetos únicos, com uma carga emocional.”

Recentemente, abraçou a joalharia e começou a cruzar as duas artes com a mestria que lhe é tão característica. Antes, já tinha passado das peças com componente utilitária para peças exclusivamente decorativas - as suas bonecas em cerâmica são quase sempre feitas por encomenda e pensadas como presentes, surpresas para quem as recebe.


 

A EVOLUÇÃO E O FUTURO

A história de Anna Westerlund já tem mais de uma década e é feita de um crescimento notável, proporcionado pela aprendizagem constante e dedicação que coloca na sua marca. Sobre as maiores aprendizagens e o que gostaria de ter sabido há uns anos, a resposta é rápida: "Não me importava de aos 20 ter mais segurança, mais confiança – acreditar mais em mim, no meu valor.”

“Quando acreditamos no nosso trabalho e no nosso valor, e quando temos paixão pelo que fazemos, vai correr bem. As pessoas vão sentir essa paixão e dedicação. Mas temos de ser honestos connosco – às vezes há coisas que sabemos que não estão tão bem e temos de dar ouvidos a essa voz.”

Para quem está a entrar no mundo da cerâmica, Anna deixa um conselho: o principal, hoje em dia e sempre, é sermos verdadeiros connosco. Quanto mais verdadeiro for o nosso trabalho mais estamos a passar a nossa mensagem, a nossa linguagem, e isso toca as pessoas. Diferencia-nos. Permite que haja o click, que se dê o salto. "Conseguir encontrar a nossa linguagem própria, a nossa estética pessoal, é o mais difícil mas é o mais importante."


Para a cerâmica em Portugal evoluir, faltam dois ingredientes. O primeiro, que as pessoas sejam mais cooperativas - os suecos têm mais esta característica e nós estamos a caminhar para lá, mas quando Anna começou não havia muito esta lógica de as pessoas trabalharem juntas – cada uma pensava sempre o que ganharia com uma colaboração. A segunda, existirem espaços para apreciar esta arte ou as peças de autor. “As galerias estão para a arte e a cerâmica está... para lado nenhum. Não há bem um sítio onde se possa expressar de forma artística. Cá ficámos no artesanato tradicional – que não se pode perder! – mas que faz com que o artesanato contemporâneo não tenha espaço para se expressar.”

Para 2018, os desejos de Anna Westerlund estão muito ligados ao projecto de loja / oficina que tem em mãos: criar uma ligação cada vez mais direta e mais próxima com as pessoas que seguem e gostam do seu trabalho, seja através da abertura da loja, seja através de outros meios.



Para acompanhar o dia a dia da marca é possível segui-la no Facebook e Instagram. Para adquirir uma peça, basta contactar a artista ou visitar a loja online.

SUN&VEGS

AGORA, EM BOM

Fazer à mão é importante - fazê-lo bem é essencial. Cada pormenor, cada detalhe, cada nuance de um objeto, de um produto, de um prato preparado à mão é único e carregado de histórias. É por isso que as Fresco&Frasco Sun&Vegs são feitas assim. E é por isso que procuramos outras marcas que produzem da mesma forma. Agora, em bom.

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