Feito à mão. Agora, em bom.

MARCAS À MÃO

Ballūta

Catarina Pedroso licenciou-se em Belas Artes mas andava afastada da área criativa até que o marido a desafiou há sensivelmente dois anos para criarem uma marca de sapatos em conjunto. Ao princípio achou a ideia irreal, mas decidiu arriscar.

“Eu não sabia nada sobre sapatos, só sabia que procurava sapatos vegan e não encontrava nada que me agradasse.”

As poucas marcas de facto vegan tinham um design normcore, “pouco moda” ou então ao nível da high street fashion os produtos ao final de poucos meses ficavam gastos ou riscados. Foi aí que encontrou a sua oportunidade de negócio. Mesmo não sabendo nada sobre sapatos, sabia que seriam vegan por ser uma necessidade que sentia enquanto consumidora.

Tirou um curso de calçado na Lisbon School of Design, aos sábados, durante doze meses, com uma filha de apenas 1 ano. Foi aí que começou a pensar na identidade da marca. 

“As minhas memórias de infância foram passadas num terreno de família no Ribatejo onde estava em contacto direto com a natureza. Aprendi a estar tranquila debaixo de uma árvore, a ouvir o vento...”

O naming da marca está muito relacionado com a sua história de infância. Ballūta é a origem arcaica da palavra bolota, fruto muito abundante no Ribatejo devido aos imensos carvalhos e sobreiros da região. Para além disso, o sobreiro é uma árvore sustentável que produz cortiça de 9 em 9 anos, regenerando-se. Para Catarina, a história de uma marca tem que ter uma ligação direta ao fundador e foi através da sua ligação à terra que germinou a Ballūta.

Na 1ª pessoa...
Começámos do 0. O meu marido ligava para as fábricas a perguntar se produziam calçado vegan sem nenhum conhecimento prévio. Não pedimos ajuda a ninguém, algo que acabou por ser bastante positivo para conhecermos o sector. Encontrámos duas fábricas portuguesas que produziam calçado vegan. Enviei dois emails, recebi proposta de um e assim foi. Os restantes fornecedores acabaram por ser em cadeia. Conheces um que te dá o contacto de outro. Fui a três feiras do setor sozinha (MICAM Milano, Première Vision Paris e Pure London) ver o que me interessava e perceber como é estar numa feira internacional a nível corporate.
 
Quem é a equipa por detrás da Ballūta?
Agora estamos a crescer. A maioria do trabalho é feito por mim com a ajuda da Catarina (creative marketeer) que trata da parte de Social Media e fez o branding todo da marca. Trabalhamos ainda com uma financial manager que nos ajuda com regularidade. E o Ricardo (marido), claro.
 
És sempre tu que desenhas as coleções? 
Essa é a parte que não prescindo. 
 
Se tivesses que identificar a cliente-tipo da Ballūta qual seria? 
Eu sei quem é a mulher, essa mulher é que ainda nos está a descobrir. Nós existimos há poucos meses. O facto de a marca ser vegan não quer dizer que a minha cliente seja vegan. Aliás, 80% ou 90% das pessoas que já compraram Balluta não o são. O nosso target é mais urbano. Mulheres entre os 18 e os 45, informadas, preocupadas com sustentabilidade, interessadas por design e que utilizam o digital diariamente.
 
Qual o posicionamento da marca?
Estrategicamente o nosso produto não é barato (gama média/alta) e eu não tenciono baixar o valor porque os sapatos têm imensa qualidade e têm todo um trabalho por trás que justifica o valor. O posicionamento que temos é: affordable luxury.
 
O que é implica o desenvolvimento de um sapato vegan?
O calçado vegan exclui é imensa coisa sendo necessário depois encontrar alternativas. Por exemplo, marcas que utilizem cortiça não podem assumir que são vegan só pela matéria-prima. Podem utilizar colas que tenham sido testadas em animais, fio proveniente da cera de abelhas, pêlos, seda, couros ou camurça.

Com que influenciadores é que costumam trabalhar?
Nós temos dois eixos na marca: o eixo sustentável e o eixo moda. O primeiro é onde se insere a parte vegan mas acaba por englobar muito mais. Utilizamos caixas feitas de papel reciclado, trabalhamos com uma fábrica familiar onde conhecemos cada um dos trabalhadores pelo nome, ou seja, um negócio para ser sustentável tem de o ser ambientalmente, socialmente e economicamente. Nós pensamos sempre nessas três vertentes. Com isto, temos uma parceria com uma jornalista de moda holandesa, vegan, a Stefanie Broek (@stephaniebroek), que vai muito ao encontro dos valores da marca. No segundo, tentámos encontrar influencers que sejam mais moda. Estamos a trabalhar com a Maria Guedes (stylista_mg), a Fernanda Velez (@fernandavelez_) e a Joana Schenker (@joana_schenker).
 
As consumidoras podem encontras os vossos produtos online?
Temos sido contactados por imensas plataformas online. Estamos já na Trend Affair (https://trendaffair.pt), vamos estar na Fair Bazaar com coleções antigas em loja e no site (https://thefairbazaar.com), isto cá em Portugal para experimentar. 
 
Vês-te a expandir a marca para o calçado masculino?
Não. A Balluta é uma marca feminina. Pensada de uma mulher para mulheres. Posso eventualmente um dia criar uma sub-marca mas a primeira coisa que gostava de fazer são malas e acessórios. Gostava mesmo de estar responsável por design e desenvolvimento de produto, desenvolver materiais novos.

O lançamento onde foi?
Foi na Second Home, no Mercado da Ribeira, espaço de coworking. Achámos que era um sítio estratégico pois há imensa gente de fora aí a trabalhar. Tivemos um evento para a imprensa com uns gifts e umas comidas vegan confecionadas pela minha irmã que é Chef.
 
Uma história que recordes com carinho? 
O lançamento foi imbatível até agora. Estar a apresentar um projeto com dois anos que ninguém sabia foi arrebatador.
 
A pergunta que te fazem com maior frequência?
O porquê do nome.
 
Quais as referências da marca?  
As minhas maiores referências são essencialmente naturais, inspiro-me imenso na natureza, coisa que descobri enquanto estava a tirar o curso de design. A arte e marcas como a CELINE, Proenza Schouler ou Tibies são também inspirações.
 
E quem é que te inspira (pessoas)? 
Inspiram-me pessoas que têm coragem de ser artistas. Eu encontrei um middle ground para mim: tenho um projecto que me dá liberdade criativa mas tem um lado comercial que acaba por ter um confronto com a realidade. Não é arte pela a arte. Portanto, admiro quem tem coragem de viver exclusivamente da sua arte.
 
Quem é que gostavas que usasse um produto teu? 
A Leandra Medine Cohen, da Man Repeller ou a Solange, irmã da Beyoncé.
 
Lado bom e menos bom de ter uma marca?
O bom é ter algo que me dá vontade de acordar todos os dias, por mais stressante que seja, isto é, um projecto que imagino para o resto da minha vida. O lado mais complicado é tentar equilibrar o tempo com a minha filha. 
 
Desejos para o futuro de setor?
A qualidade e a experiência estão cá, mas falta design. Falta sangue novo. Há imensas fábricas que já têm marcas próprias, mas em vez de terem designers in house, por exemplo, contratam por apenas um mês. Não existe esta ideia de pensar uma marca desde o início. 

Faz falta para valorizar o próprio sector e valorizar as marcas que produzem em Portugal.

SUN&VEGS

AGORA, EM BOM

Fazer à mão é importante - fazê-lo bem é essencial. Cada pormenor, cada detalhe, cada nuance de um objeto, de um produto, de um prato preparado à mão é único e carregado de histórias. É por isso que as Fresco&Frasco Sun&Vegs são feitas assim. E é por isso que procuramos outras marcas que produzem da mesma forma. Agora, em bom.

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