Feito à Mão. Agora, em bom.

MARCAS À MÃO

Envelope Lisboa

Às vezes, passamos meses e anos e vidas inteiras a acumular experiências, vivências, aprendizagens para, um dia, dar-lhes forma num projecto. A história da Envelope Lisboa é muito isso - uma história que foi ganhando forma, que foi surgindo, que foi crescendo, e que inconscientemente se alimentou de inspirações e imagens que remontam à infância de Carla Soveral, a mulher, mãos, cabeça e coração por detrás da marca.

“Sou uma pessoa sonhadora. Gosto de imaginar coisas. E gosto de fazer acontecer.”

Tudo começa a preparar-se em 2015. Carla Soveral tinha uma agência de Comunicação e Relações Públicas, a Triângulo das Bermudas, mas já não sentia que pertencesse ali. 

“Nos dois últimos anos em que estava na agência comecei a partilhar com uma amiga as minhas frustrações - sempre fui muito criativa, fiz os vestidos de noiva das minhas irmãs e guarda roupa de Ópera. E ela disse-me: se tens jeito para tanta coisa, porque não crias algo teu?

Nos últimos 16 ou 17 anos sempre tive coisas em sociedade e isso cansou-me, esgotou-me muito. Numa primeira fase ainda andava a experimentar coisas e à procura de mim, mas a partir dos 35 anos comecei a encontrar o meu caminho e mais perto dos 40 tive a noção de que tinha chegado a meio do meu percurso. E quis fazer uma coisa minha.”


Por isso, no final de 2016 começou a preparar tudo para vender a sua parte na agência e, cansada dos processos e da gestão a que este universo obrigava, transformou a Envelope Lisboa no seu projecto oficial.
 

"Sempre gostei muito de estacionário, de escrever - postais, cartas, escrever por escrever. E há um dia em que passo por uma imagem de envelopes com estampagem de flores por dentro e fez-se luz: era espectacular se se pudesse usar, se não fosse um bocado de papel que acaba no lixo. Por isso, quis transformar um envelope num objeto do dia a dia para ser adorado, para ser amado."

Tudo começou lentamente, num processo de descoberta e experimentação. "Comecei por desenhar o molde - este, final, é o terceiro. Depois, procurei tecidos. Queria estampar directamente na pele, inicialmente. Mas a pele, por dentro, tem pêlo. Depois pensei: se não posso fazer assim, posso aplicar um tecido. E a partir daí chegam mais umas quantas perguntas: que tipo de tecido? Com que tipo de remate?"

Apesar de ter lançado a Envelope em 2015, só com a venda da sua parte da Triângulo das Bermudas, em março de 2017, conseguiu começar a dedicar-se verdadeiramente à sua marca. Até ao ano passado trabalhava em casa, criando e retirando peças à medida que acabava o material.


"Este ano, consegui finalmente lançar a minha primeira coleção oficial, a Bloom, um nome escolhido por representar precisamente o florescer da marca."

A Bloom começou a ser preparada em maio de 2017. Pelo caminho, colaborou na loja de Anna Westerlund e Violeta Cor de Rosa, Playroom, na Lx Factory - a ideia era trabalhar na Envelope mas não conseguiu concentrar-se. Por isso alugou um espaço no Cais do Sodré com Susana Albiero, do O Meu Monstrinho, onde trabalhou durante os seis meses iniciais que viriam a definir a Envelope. Entre junho de 2017 e o final do ano, as sinergias facilitadas por esse espaço e os desenvolvimentos pelos quais a Envelope passou, da imagem gráfica (desenvolvida por Susana) aos cartões ou ao feedback que foi recebendo, foram cruciais para a definição do seu caminho.

Hoje, o desafio já passa pela logística que o desenvolvimento de uma coleção - e marca - exige. Já não se trata "apenas" de escolher as cores das peles e os padrões dos tecidos - já envolve garantir quantidades, pensar em todos os detalhes e relações com fornecedores, todas as peças de branding, todo o mundo da marca. E, como a própria assume, o momento de lançamento já não é apenas isso - já é também o momento em que pensa na próxima coleção, no próximo desafio. É por isso natural que já esteja a trabalhar nas peças que se seguem, para a já baptizada Macaron Collection, que conta com padrões exclusivos Envelope criados pela designer Lu Haddad. Até lá, as novidades materializam-se na parceria desenvolvida com a Anna Westerlund, em que as Envelope se apresentam como um complemento à evolução da ceramista enquanto designer - e criadora - de acessórios.
 


TUDO CONFLUI NA ENVELOPE.

A história da Envelope Lisboa pode ter começado em 2014 / 2015, mas as referências de Carla começaram a juntar-se bem antes disso.

"Quando era miúda, o meu pai trabalhava na manutenção militar no atual Hub do Beato. A minha mãe trabalhava na zona das fábricas e o meu pai em várias zonas da manutenção militar - eu frequentava imenso o espaço e conhecia todos os recantos. A minha mãe costurava as nossas roupas, o meu pai fazia móveis - o trabalho, a criação manual, sempre esteve muito presente. Eu sempre conheci as oficinas todas e a minha mãe dizia constantemente que a ver também se aprende; então, eu ficava muito quieta a observar. Desde pequenina que sempre convivi com estes meios e com esta ideia de fazer coisas à mão.

Uns anos mais tarde, quando era miúda e andava na escola secundária ou na preparatória, o pai da minha melhor amiga era sapateiro e trabalhava lá ao lado. Eu passei horas a conversar e vê-lo trabalhar e nunca dei grande importância a isso - gostava dele e de falar com ele. Ainda hoje estava a colocar cola de contacto nas Envelope - para funcionar, tens de colocar pouca e bem espalhada, deixar secar e depois juntá-las, martelando . e lembrei-me do Sr. Manel e de o ver fazer exactamente isso.


(...) Até mesmo a minha avó, quando eu ia para casa dela, fazia argolinhas de manteiga para fora. E uma das minhas memórias de infância é estar com ela, na casa dela, com ela a amassar tudo durante horas e a ir-se deitar apenas quando tivesse tudo cozinhado. Lembro-me de a ajudar, de comer a massa crua, de ir dormir com o cheiro na casa, de ajudar a empacotar... todo esse ritual, todo aquele amor e carinho com que ela fazia as argolinhas - supostamente todas iguais, como as Envelope, mas todas diferentes por serem feitas à mão, com tanta dedicação..." 


Hoje é a Carla que faz tudo à mão, sozinha, à excepção da gravação, e coloca toda a sua sabedoria e amor nas Envelope, num processo que, se contínuo, leva 2 a 3 horas.

Apesar de ter começado com carteiras, já está a pensar em novos produtos e a explorar outras técnicas e materiais, como a resina. Pisa papéis, notebooks em pele, babuchas... a cabeça de Carla não para de fervilhar. É por isso também que um dos maiores desafios, neste momento, é conseguir não perder o foco. Como a Carla tem mil capacidades, a probabilidade de se desviar do seu caminho é muito grande e tem de se concentrar em tornar a Envelope rentável.



É possível comprar uma Envelope Lisboa no seu site e acompanhar a marca seu Instagram ou Facebook.
Fotografias: Horácio Rodrigues

SUN&VEGS

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Fazer à mão é importante - fazê-lo bem é essencial. Cada pormenor, cada detalhe, cada nuance de um objeto, de um produto, de um prato preparado à mão é único e carregado de histórias. É por isso que as Fresco&Frasco Sun&Vegs são feitas assim. E é por isso que procuramos outras marcas que produzem da mesma forma. Agora, em bom.

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